ENTREVISTA EXCLUSIVA: ROMEU MARQUES FALA SOBRE A RETOMADA DE EVENTOS EM BH

05/07/2021

Se você é um amante de música eletrônica e frequenta as melhores festas da região de Belo Horizonte, você certamente já foi em um evento organizado por Romeu MarquesFlowersWarung TourTribe são apenas alguns dos diversos selos assinados pelo produtor, que já está no mundo dos eventos há mais de 20 anos. Seus primeiros projetos foram fora da cena eletrônica. Artistas como Cássia EllerJorge Ben JorNatirutsRaimundosMarcelo D2Seu JorgeCidade Negra e Lulu Santos são alguns dos muitos nomes realizados por Romelito na região de BH.

Desde pequeno, o produtor sempre foi muito ligado à arte, especificamente às artes plásticas e, através da pintura, teve acesso aos primeiros festivais de música eletrônica, que, apresentado por um amigo DJ, adentrou nesse universo. O Portal B2B teve o privilégio de conversar com uma das figuras mais importantes da cena no Brasil, responsável por fazer acontecer, nos bastidores, a magia dos festivais. Com vocês, Romelito:

PORTAL B2B: Romeu, você está há muitos anos na cena eletrônica, como produtor de eventos e sendo o responsável por trazer muita gente importante desse mundo pra BH. Conta um pouco pra gente como foi seu primeiro contato com a música eletrônica. 

ROMELITO: “Eu trabalho com a música eletrônica desde 2001, são cerca de 20 anos de estrada. Minha tia é artista plástica e me ensinou a pintar quando eu ainda era muito novo. Através disso, um amigo meu que é DJ disse que precisava me levar nas festas de música eletrônica pra que eu pudesse ver as artes, as pinturas que as pessoas faziam. Chegando lá eu fiquei encantado, e, a partir daí, comecei a fazer alguns trabalhos para festivais do mundo inteiro. Depois de conhecer e frequentar muitos eventos por conta da arte, como eu já estava envolvido no mundo da produção, senti a necessidade de organizar meu próprio festival, com a minha identidade, que seria um mix de tudo que eu vi durante as viagens.”

PORTAL B2B: E qual foi o primeiro evento que você organizou? 

ROMELITO: “O primeiro evento de música eletrônica que eu organizei foi o Flowers, que já vai completar 17 anos!”

PORTAL B2B: Naquela época, como você pontua quais eram as maiores dificuldades de se realizar um evento? 

ROMELITO: “No início, sem dúvidas, o preconceito. Era um formato de evento que ninguém conhecia e que as pessoas, no geral, associavam muito ao uso indiscriminado de drogas. Então, isso foi uma grande dificuldade que fazia com que a gente tivesse que trabalhar quatro, cinco, até seis vezes mais pra poder desmitificar isso. Foi com muito trabalho, muita entrega e muito profissionalismo que nós conseguimos superar isso. Eu, por exemplo, nessa caminhada, levei muita pancada, e, apesar disso, decidi seguir em frente, porque era uma paixão, era algo que eu fazia por amor mesmo, e não tinha dimensão do que isso ia se tornar. Lá atrás existia até um certo tipo de perseguição, era uma bandeira para quem tinha uma linha mais conservadora, e acabava usando os festivais como um instrumento político. A gente era muito novo, sem muita experiência de vida, mas acreditávamos cegamente que iríamos conseguir romper isso, e foi o que aconteceu.”

PORTAL B2B: Você, em algum momento, já pensou em tocar ou já quis ser DJ?  

ROMELITO: “Profissionalmente não. Eu sou apaixonado pela música eletrônica, sempre tive a curiosidade de conhecer mais, de aprender, e, lá atras, há uns bons anos, eu aprendi a tocar, mas de forma despretensiosa. Tentei não me tornar DJ até pra não misturar as coisas e acabar tirando o espaço de quem tava realmente investindo e tinha isso como um sonho. Mas, quando estou com alguns amigos ou em casa fazendo alguma reunião, de vez em quando eu toco, mas bem descontraído.”

PORTAL B2B: Você é uma das pessoas que está à frente da “Plim! Produtora”, que é responsável pelos maiores eventos de música eletrônica de BH e região. Conta um pouco sobre como surgiu a produtora. 

ROMELITO: Durante muito tempo, eu era o cartão postal dos meus eventos, e, à medida que eles foram evoluindo, eu senti a necessidade de ter uma produtora, porque eu comecei a diversificar muito as produções dentro da música eletrônica. Muitos clubs em BH começaram a me convidar, fui chamado pra assinar festivais como a Tribe em BH, o Warung Tour, a Kaballah, uma pista do Creamfields no Brasil, e muitos outros. Por isso, foi necessário estabelecer uma produtora, até mesmo pra deixar ainda mais profissional o trabalho que já fazíamos e abrir o leque de possibilidades.

Sunset Bar foi uma alternativa que surgiu para os amantes de música eletrônica que queriam voltar a curtir seus artistas preferidos de forma segura, dado o momento em que vivemos. A próxima temporada do bar começará em setembro e “Gabe” é a primeira grande atração confirmada! A última temporada do Sunset foi mais do que sucesso, o bar se tornou um modelo para o setor. 

PORTAL B2B: Vocês são tidos como pioneiros na retomada das atividades durante a pandemia. Como surgiu a alternativa de criar o Sunset Bar?  

ROMELITO: “Cara, um dos maiores ativos que eu considero ter na vida é a minha criatividade. Isso me ajuda muito a pensar sempre um pouco adiante e no que quero fazer no futuro. Assim, consigo ter tempo hábil para fazer as coisas e com a pandemia não foi diferente. Essa era uma situação muito atípica, algo que ninguém esperava. Eu mesmo estava com vários projetos em andamento e nós fomos obrigados a parar, algo que nunca aconteceu, e isso foi muito difícil. Diante disso, fiquei uns 4 meses do início da pandemia totalmente parado, bem reflexivo, e já imaginando que ia demorar bastante. Enquanto meus colegas de trabalho estavam mobilizados em repensar um novo calendário num curto prazo de tempo, algo que eu não acreditava, precisei encontrar uma via dentro do que eu sabia fazer. Estudei muito os decretos, as leis e todos os procedimentos legais necessários no momento e tive esse “insight” de criar um bar, com entretenimento e que se adequasse a todos os protocolos. O Sunset é uma alternativa sustentável e bastante consistente, e é tido como um modelo para o Brasil inteiro! “

PORTAL B2B: E como está a realização do Sunset? Existe alguma dificuldade? Quais foram os principais obstáculos que vocês encontraram pra fazer o bar acontecer.  

ROMELITO: “Acho que a bagagem, a experiência e a confiança que você adquire ao longo dos anos te dá muita tranquilidade em montar uma equipe profissional que seja capacitada de executar o que foi planejado. Obviamente, nós tivemos que fazer algo um pouco menor para conseguir ter o controle da situação. Teve edições da Sunset que tínhamos muita demanda, mas tivemos que reduzir bastante a capacidade para conseguirmos realizar e manter tudo em ordem. Acredito que a maior dificuldade que tivemos foi justamente nesse ponto, fazer algo grande para um público muito reduzido. Pelo momento ser delicado, apesar da necessidade de voltarmos a trabalhar e de fomentar o mercado, tínhamos que nos atentar bastante para a segurança do nosso público.” 

PORTAL B2B: Como foi a escolha do local do Sunset?  

ROMELITO: “A gente já tem uma história no Marina Ventura. Eu já estava pensando em um formato bar, mas eu queria também que fosse num lugar aberto, diurno, pegando o pôr do sol. Muita gente ficou debilitada durante a pandemia, ou porque perdeu trabalho, ou porque ficou muito tempo preso em casa. Então, nós queríamos proporcionar uma experiência única pra quem tava indo. Uma experiência de poder sair de casa, de respirar um ar e poder ver um pôr do sol incrível de frente pra lagoa. Todo esse contexto foi fundamental para o sucesso do projeto.“

PORTAL B2B: Quando todo esse momento passar, você acha que esse formato de evento é um formato válido para o futuro? 

ROMELITO: “Eu tenho convicção que o Sunset Bar é um projeto que veio pra ficar, justamente por ser um projeto mais intimista, diferente dos outros. Tem uma galera que não tá afim de ir num show com 5 mil, 10 mil pessoas. Querem ir de boa, encontrar os amigos, tomar um drink, não ficar pegando fila. Basicamente, ter uma tarde agradável, curtir seu artista preferido e ouvir música boa. Acho que, sem dúvidas, o Sunset veio pra ficar.” 

PORTAL B2B: Você foi o responsável por trazer e assinar vários eventos de fora da região de Belo Horizonte, como o Warung, a Tribe, a Playground e muitos outros. Tem algum evento no futuro que você tenha vontade de trazer pra cá? 

ROMELITO: “Na verdade, estou criando um NOVO evento. Do zero. Com uma nova proposta, uma nova experiência. Nós teremos muitas novidades ao final dessa pandemia. É uma proposta diferente de tudo que a gente vê por aí, vai ser sem dúvidas mais um projeto pioneiro e que eu estou trabalhando firme pra fazer acontecer. Acredito que o calendário de BH não comporte mais eventos de fora, não há mais espaço pra isso. Então resolvemos criar esse novo formato e estamos bastante confiantes com ele!” 

PORTAL B2B: Estamos vendo uma aposta muito grande nos eventos com relação ao techno. Recentemente você trouxe Boris Brejcha na Flowers, a Warung Tour e a Charlotte de Witte. Você acha que o techno tem espaço pra crescer em BH? 

ROMELITO: “Antes de mais nada, o techno é um dos meus estilos prediletos dentro da música eletrônica. Ele sempre esteve presente nos meus eventos, mas de forma muito tímida. Acho que na Flowers foi onde ficou evidente o investimento pra poder inserir o techno no mercado mineiro. Ali certamente foi um sinal, um aviso para o mercado, que nós vamos aumentar o investimento nesse estilo musical, por ser uma vertente que a gente gosta e acredita muito na proposta.”

PORTAL B2B: Quais são os artistas de fora do Brasil que vocês têm vontade de trazer pra BH? E quais são as maiores dificuldades em trazer esses DJs? 

ROMELITO: “São vários. Uma lista interminável. Mas as maiores dificuldades nos dias de hoje é a alta do dólar e a alta do euro. Depende muito de turnê internacional do artista, e se vai casar com o evento que estamos organizando. É fundamental fazer parcerias com outras regiões pra poder dividir os custos, se não fica praticamente impossível viabilizar uma atração dessas em Belo Horizonte.”

PORTAL B2B: Romeu, agora o espaço é teu. Deixa uma mensagem para o pessoal do que a gente pode esperar pro futuro, de alguma novidade, algo que dê esperança para o retorno. 

ROMELITO: “Estamos preparando algo muito especial para o retorno. Uma nova história, um novo formato. Tivemos dois anos para poder desenhar esse projeto. É algo que nunca tivemos tanto tempo e tanta energia para poder despender em algo. Aguardem com carinho, porque nós iremos apresentar algo improvável!”

Mal podemos esperar por essa novidade! Esse foi Romeu Marques, o “Romelito”, uma das principais figuras que fazem a cena eletrônica acontecer no Brasil.

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autor:

Amante das CDJs, viciado em música eletrônica. Vive sua paixão 24 horas por dia, 7 dias por semana e, quando quer relaxar, escreve sobre o que mais ama.